FOPROP defende políticas de Estado para levar doutores ao setor produtivo no Seminário Programas de Inovação do CNPq (RHAE e MAI/DAI)

O FOPROP participou do Seminário Programas de Inovação do CNPq – RHAE e MAI/DAI, realizado nos dias 19 e 20 de agosto de 2026, em Brasília. Para a presidenta do Fórum, professora Iraildes Pereira Assunção, da Universidade Federal de Alagoas, a participação tem valor simbólico e estratégico.

“A presença do FOPROP reafirma o compromisso histórico da pós-graduação brasileira com uma política científica, tecnológica e de inovação de soberania e excelência. Temos hoje um sistema consolidado de formação de doutores, e o nosso grande desafio é fazer com que esse conhecimento chegue com intensidade à sociedade, transformando pesquisa em inovação e desenvolvimento sustentável”, afirmou.

Três eixos para o país

Segundo a presidenta, a consolidação dos dois programas do CNPq em debate impulsiona três eixos centrais: a atração de talentos para novas carreiras profissionais, o combate às assimetrias regionais e o fortalecimento das parcerias públicas e privadas em pesquisa e desenvolvimento.

São justamente esses os objetivos que estruturam o RHAE – Pesquisador na Empresa, que apoia a contratação de pesquisadores pelo setor produtivo, e o MAI/DAI – Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação, que forma pós-graduandos em projetos desenvolvidos junto às empresas.

Cobrança exacerbada das universidades

O FOPROP também integrou a mesa-redonda “Desafios da Cooperação Universidade-Empresa”, que reuniu representantes da EMBRAPII, do FORTEC e da CAPES, cada um trazendo a perspectiva de sua instituição sobre como aproximar a produção científica do setor produtivo.

Representando o Fórum, o professor Paulo Roberto da Silva, secretário de Comunicação do FOPROP e docente do Departamento de Ciências Biológicas da UNICENTRO, mostrou como o Brasil destoa do padrão internacional. Enquanto nos países que mais patenteiam no mundo de 70% a 80% dos depósitos são feitos por empresas privadas, no Brasil cerca de 70% das patentes depositadas por inventores brasileiros saem das universidades.

“Cobra-se muito das universidades brasileiras a produção de patentes. Mas, quando olhamos para os países que mais patenteiam no mundo, a maior parte dos depósitos é feita por empresas privadas — e é exatamente lá que estão empregados os doutores”, afirmou.

Para ele, a explicação da assimetria brasileira é direta: a baixa empregabilidade de mestres e doutores no setor privado. Nos maiores produtores de patentes do mundo, a maioria dos doutores atua em empresas; no Brasil, a maior parte está nas instituições públicas.

Política de Estado, não de governo

O caminho apontado pelo FOPROP passa por decisões que sobrevivam a ciclos eleitorais. “Precisamos de políticas de Estado, e não de governo, capazes de garantir que as empresas recebam mestres e doutores em seus quadros. Esse é um dos maiores desafios para o Brasil avançar em inovação”, destacou Paulo Roberto da Silva.

Mais do que formar doutores — etapa que o Brasil já domina —, o desafio agora é abrir as portas das empresas para eles. É disso que depende a próxima geração de inovação brasileira.